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Distrofia Muscular Progressiva


Introdução

As distrofias musculares são doenças hereditárias caracterizadas por uma desordem progressiva dos músculos. Os músculos tornam-se fracos e atrofiam com o tempo. A distrofia muscular tipo Duchenne é a mais comum das distrofias. Nesta distrofia, durante o primeiro ano de vida, não se observa qualquer alteração clínica aparente. Um pequeno atraso na aquisição da marcha e quedas mais freqüentes do que o normal são às vezes relatadas pelos pais. Em seguida, observa-se dificuldade para subir e descer escadas. Andar vai ficando cada vez mais difícil e, geralmente, entre 10 e 12 anos de idade a criança passa a precisar de cadeira de rodas para se locomover.

O exame físico revela atrofia da musculatura proximal e logo surge hipertrofia de panturrilhas devido a grande quantidade de depósito de gordura substituindo as fibras musculares. O envolvimento de membros inferiores é mais acentuado e precoce do que o de membros superiores. Nas fases mais avançadas da doença, a musculatura distal é também comprometida e observa-se o desenvolvimento de cifoescoliose (desvio da coluna). Em 50 por cento das crianças pode haver acometimento do coração (cardiomiopatia).

Causa

Doença hereditária recessiva ligada ao X causada por mutação na proteína distrofina, situada no braço curto do cromossomo X. Herança ligada ao X implica que, quando a mãe é portadora do gene, o risco de recorrência da doença é igual a 50 por cento para filhos do sexo masculino. As mulheres, habitualmente, não apresentam sinais clínicos da doença muscular, ainda que possam herdar o gene (50% de risco se a mãe for portadora). Os poucos casos de mulheres com doença clínica têm relação, em sua maioria, com anomalias estruturais do cromossomo X que levam a inativação preferencial do cromossomo que tem o gene normal. Quando a mutação é detectável por método molecular, o diagnóstico pré-natal é possível.

Exames Complementares

  1. Enzimas musculares como aldolase, dehidrogenase lática e creatinofosfoquinase (CPK) são elevadas.
  2. A eletroneuromiografia (estudo da atividade elétrica dos nervos e dos músculos) demonstra padrão miopático típico.
  3. A biópsia muscular deve ser realizada principalmente nos casos de diagnóstico mais difícil (é dispensável se o exame por método molecular - pesquisa de deleções em gene da distrofina - comprovar existência de deleção e, também, pode ser dispensada quando há na família casos com quadro clínico semelhante, diagnóstico confirmado, e padrão de herança recessiva ligada ao X).
  4. A pesquisa de deleções no gene da distrofina, por PCR, quando disponível, é o melhor exame para confirmar o diagnóstico, mas somente cerca de 60% dos casos de distrofinopatias são causados por deleções. Os demais 40%, principalmente quando se trata de caso esporádico (sem história familiar de doença neuromuscular com padrão de herança recessiva ligada ao X), podem necessitar realização de biópsia muscular com imuno-histoquímica para distrofina (exame complementar, no qual a presença ou ausência da proteína distrofina é evidenciada por um marcador) para confirmação do diagnóstico.

Tratamento

  1. Após o diagnóstico e a detecção de portadoras através da dosagem de CPK ou da distrofina, o aconselhamento genético é a primeira conduta a ser tomada. O aconselhamento pode ser difícil nos casos únicos dentro de um grupo familiar, uma vez que as mutações novas respondem por porcentagem relativamente alta dos casos, e determinar com certeza se a mãe é portadora da mutação pode ser tarefa complexa.
  2. A terapia funcional tem como principais objetivos retardar o desenvolvimento de deformidades graves através de exercícios ativos e correção da postura, estimular a independência nas atividades de vida diária e melhorar a ventilação pulmonar. A criança deve ser incentivada a evitar a cadeira de rodas até quando possível. No SARAH, os pais são preparados para desenvolver as atividades orientadas em casa e as revisões são programadas de acordo com as necessidades da criança ou da família. É importante ressaltar que exercícios intensivos não trazem nenhum ganho de massa muscular ou de força e são contra-indicados nos pacientes que apresentam comprometimento cardíaco.
  3. A administração de prednisona tem sido associada a alguma melhora a curto prazo; no entanto, seus efeitos colaterais em potencial constituem uma barreira para a utilização deste recurso no tratamento da distrofia muscular tipo Duchenne. Recentemente, foi introduzido no mercado um novo produto -o deflazacort- que parece apresentar vantagens sobre a prednisona, tendo menor incidência de efeitos colaterais. A longo prazo, é possível que se torne viável a terapia gênica com melhora do prognóstico quanto à sobrevida.
  4. Nas fases mais avançadas da doença, as adaptações na cadeira de rodas devem ser planejadas de acordo com as necessidades específicas de cada criança e o tratamento cirúrgico da escoliose deve ser considerado.
  5. Programas de socialização, suporte emocional e apoio à família são momentos importantes do tratamento.