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Acidente Vascular Cerebral
Introdução
A interrupção aguda do fluxo sanguíneo
de alguma parte do cérebro determina o que se chama isquemia
cerebral, que, se durar um período de tempo suficiente
para provocar lesão no cérebro, leva ao acidente
vascular cerebral (AVC).
Algumas vezes, os sintomas do AVC podem melhorar
espontaneamente em poucos dias. Esta condição é
conhecida como déficit neurológico focal reversível.
Em outras ocasiões, o paciente apresenta sintomas neurológicos
que duram menos de 24 horas, geralmente minutos (15 a 60 minutos),
como dificuldade para falar, visão dupla (diplopia), vertigem
e fraqueza ou formigamento em uma metade do corpo. Situações
como estas ocorrem em conseqüência de uma isquemia
cerebral transitória e acontecem no chamado acidente isquêmico
transitório (AIT).
Acidente Isquêmico Transitório
É importante conhecer os sintomas do acidente
isquêmico transitório, pois podem anteceder em dias
ou semanas o verdadeiro AVC. Os principais sintomas incluem: fraqueza
muscular, paralisia, perda da sensibilidade e formigamento, dificuldade
para articular as palavras (disartria), dificuldade para elaborar
a linguagem ou para compreender a linguagem (afasia), sintomas
visuais como visão dupla, ou perda do campo visual à
direita ou à esquerda (hemianopsia). Nos AITs, às
vezes, os doentes podem perder a visão num olho durante
minutos, situação conhecida como amaurose fugaz.
Pode ocorrer também vertigens, que se caracterizam por
instabilidade com sensação de que as coisas estão
girando ao redor da pessoa, associada a náuseas e vômitos.
Sinais de Alarme do AVC
O AVC é uma urgência neurológica
e deve ser tratado prontamente. Para isto, os sintomas que acontecem
na fase aguda devem ser reconhecidos.
Os sintomas mais freqüentes são:
- Diminuição ou perda súbita
da força na face, braço ou perna de um lado do
corpo.
- Alteração súbita da sensibilidade
com sensação de formigamento na face, braço
ou perna de um lado do corpo.
- Perda súbita de visão num olho
ou nos dois olhos.
- Alteração aguda da fala, incluindo
dificuldade para articular e expressar ou para compreender a
linguagem.
- Dor de cabeça súbita e intensa
sem causa aparente.
- Instabilidade, vertigem súbita intensa
e desequilíbrio associado a náuseas ou vômitos.
Tipos de AVC
Os AVCs se classificam
em dois grandes grupos: AVC isquêmico (chamado de infarto
cerebral) e AVC hemorrágico (chamado de hemorragia cerebral).
Entre os AVCs isquêmicos ou infartos cerebrais
destacam-se três tipos: o infarto aterotrombótico,
a embolia de origem cardíaca e o infarto lacunar. Cerca
de 35 por cento dos infartos cerebrais são de origem aterotrombótica,
25 por cento resultam de embolias de origem cardíaca, 15
por cento são infartos lacunares, e 5 a 10 por cento são
devidos a outras causas conhecidas. Em 15 a 20 por cento a causa
é indeterminada.
As hemorragias cerebrais podem ser de vários
tipos: hematomas subdurais agudos ou subagudos (após traumatismo
craniano), hemorragia subaracnóideia (após ruptura
de aneurisma ou malformação arteriovenosa) e hemorragia
intra-parenquimatosa (em pacientes com hipertensão crônica).
Outras causas menos freqüentes de hemorragias cerebrais incluem
a angiopatia amilóide, alcoolismo crônico, hepatopatias
e coagulopatias.
Diagnóstico
do AVC Aterotrombótico
O diagnóstico de
um infarto cerebral de origem aterotrombótica é
feito na presença de estenose arterial superior a 50 por
cento, de uma placa de ateroma ulcerada com mais de 2 mm de profundidade,
de oclusão ou trombose na artéria carótida
comum ou na artéria carótida interna demonstrada
pelo Doppler carotídeo, e na ausência de cardiopatia
produtora de êmbolos. São critérios sugestivos
de AVC aterotrombótico: a presença de sopro à
ausculta da artéria carótida ou subclávia,
antecedentes de AITs, angina ou infarto do miocárdio, claudicação
intermitente ou doença arterial das extremidades inferiores
e instalação progressiva ou intermitente do infarto.
A tomografia ou ressonância magnética cerebral geralmente
demonstram uma lesão isquêmica superior a 1,5 cm.
O infarto lacunar é um infarto de pequeno
tamanho (chamado de lacuna), menor do que 1,5 cm, secundário
a uma doença de pequenos vasos, como as que acometem as
artérias cerebrais lenticuloestriadas, talamoperfurantes
e talamogeniculadas.
Os critérios essenciais para diagnosticar
um infarto lacunar são:
- O paciente deve apresentar síndrome
lacunar: hemiparesia motora pura, síndrome sensitiva
pura, hemiparesia-ataxia, síndrome de disartria-mão
torpe ou síndrome sensitivomotora.
- Os exames de neuroimagem como tomografia ou
ressonância têm que demonstrar um infarto de tamanho
inferior a 1,5 cm, numa localização cerebral típica
como cápsula interna, tálamo, centro semioval,
coroa radiada, ou ponte.
- Os outros exames complementares devem afastar
cardiopatia produtora de êmbolos ou estenose arterial
maior que 50 por cento nas artérias extracranianas ipsilaterais.
Embolia Cerebral de Origem Cardíaca
Trata-se de um tipo de AVC isquêmico devido
a um trombo que se solta do coração, viaja pelas
artérias (êmbolo) e obstrui alguma artéria
cerebral. Geralmente, este tipo de AVC cursa com instalação
súbita de déficit neurológico durante uma
atividade física ou mudança de posição.
Esses pacientes têm uma cardiopatia evidente detectada ao
exame físico ou no ecocardiograma. A tomografia computadorizada
ou a ressonância magnética demonstram infarto cerebral
cortical, infarto com transformação hemorrágica
ou infartos cerebrais em territórios vasculares diferentes,
alguns deles assintomáticos. São várias as
cardiopatias de maior risco para embolia cerebral
(Tabela 1).
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Tabela 1. Cardiopatias de Alto Risco Cardioembólico |
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Fibrilação atrial valvular |
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Prótese valvular mecânica |
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Valvulopatias (estenose mitral) |
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Infarto agudo de miocárdio (quatro
primeiras semanas após o infarto) |
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Presença de trombo no ventrículo
e aurícula esquerda |
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Tumor atrial (mixoma atrial) |
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Endocardite infecciosa |
Miocardiopatias
(congênitas, doença de Chagas, alcoólica)
|
Acinesia e aneurisma
de ventrículo esquerdo
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Outras Causas Reconhecidas de AVC Isquêmico
Outras causas,
menos freqüentes, de AVC isquêmico, incluem
dissecções arteriais, displasias fibromusculares,
doença de Moya-Moya, vasculites secundárias
a doenças auto-imunes como lupus eritematoso ou
poliarterite nodosa, coagulopatias e estados trombofílicos
adquiridos ou hereditários (como os déficits
de proteína C ou S, e resistência à
proteína C ativada), doenças infecciosas
crônicas (doença de Chagas, tuberculose,
vasculites virais), e fenômenos vasculares secundários
a vasoespasmo (como o que acontece depois da ingestão
de fármacos simpático-miméticos,
cocaína, ou durante uma crise de enxaqueca). O
uso crônico de anticoncepcionais em mulheres jovens
fumantes pode favorecer os infartos venosos cerebrais
e os infartos aterotrombóticos.
Exames Complementares
Depois do exame neurológico e definição
dos sintomas do derrame e da síndrome neurológica,
exames realizados conforme indicação orientam a
busca do diagnóstico etiológico
(Tabela 2).
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Tabela 2. Exames Complementares no AVC |
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Dosagem de colesterol, glicemia, exames para avaliar funções
renal e hepática, íons, hemograma, fibrinogênio
e tempo de protrombina |
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Em pacientes com suspeita de coagulopatia determina-se a
proteína C, a proteína S, anticoagulante lúpico,
anticardiolipina, resistência à proteína
C ativada, antitrombina, fator V de Leyden, sorologia para
doença de Chagas, para sífilis, anticorpos
antinucleares e homocisteína |
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Eletrocardiograma e radiografia de tórax e ecocardiograma
transtorácico ou transesofágico com a finalidade
de se estudar a fonte cardioembólica dos AVCs |
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Doppler carotídeo e vertebral: tem a finalidade de
estudar as placas de colesterol (arteriosclerose) que acontecem
na bifurcação das artérias carótidas
e no nascimento das artérias vertebrais |
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Doppler transcraniano cerebral (DTC): tem a finalidade de
estudar o fluxo sanguíneo cerebral nas artérias
intracranianas; o teste de bolhas é um exame do DTC
no qual se injeta na veia uma solução de soro
salino com ar para se avaliar a existência de forame
oval permeável, uma comunicação cardíaca
congênita que é causa relativamente comum de
AVC em jovens |
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Exames de neuroimagem como tomografia cerebral, ressonância
magnética cerebral e angioressonância de vasos
intra e extracranianos com o objetivo de se visualizar a
área cerebral do infarto ou hemorragia |
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Arteriografia em casos selecionados para ajudar no diagnóstico
de aneurismas cerebrais, malformações arteriovenosas
e estenoses arteriais |
A doença vascular
cerebral constitui a terceira causa de morte no Ocidente. É
também a segunda causa de perdas cognitivas, sendo a primeira
a doença de Alzheimer.
A mortalidade na fase aguda, nos primeiros 30
dias, oscila entre 8 a 20 por cento. O risco acumulado de mortalidade
no final do primeiro ano é de 22 por cento, sendo maior
nos AVCs aterotrombóticos e cardioembólicos e menor
nos infartos lacunares.
O risco de recorrência de um AVC é
maior nos primeiros 30 dias após um infarto cerebral. As
taxas de recorrência a longo prazo oscilam entre 4 a 14
por cento ao ano. Os fatores de risco de recorrência do
AVC são: diabetes e hipertensão arterial diastólica.
Fatores de Risco
Existe uma série de fatores de risco para
AVC. O principal deles, não modificável, é
a própria idade. O envelhecimento aumenta o risco de AVC.
A partir dos 55 anos, a incidência de infarto cerebral duplica
a cada década. Existem também diferenças
raciais e de sexo na distribuição da arteriosclerose
e da isquemia cerebral. A aterosclerose carotídea é
mais freqüente em pessoas brancas do sexo masculino, enquanto
que a arteriosclerose intracraniana é mais freqüente
em pessoas negras.
O principal fator de risco modificável
é a hipertensão arterial. As pessoas com hipertensão
arterial sistólica>160 mm Hg e diastólica >
95 mmHg têm risco relativo de AVC quatro vezes maior do
que na população em geral. A hipertensão
arterial isolada, mais freqüente na idade avançada,
aumenta o risco de AVC.
Outros fatores de risco reconhecidos são
diabetes mellitus, tabagismo, obesidade, vida sedentária,
uso de álcool, uso de anticoncepcionais, uso de drogas
e enxaqueca (Tabela 3).
| Tabela
3. Fatores de Risco para AVC |
| Não
modificáveis |
| Idade
|
| Sexo |
| Fatores
racias |
| Fatores
genéticos |
| Modificáveis |
Hipertensão
arterial |
Diabetes
mellitus |
Doenças
cardíacas |
Tabagismo |
Etilismo |
Dislipidemia |
| Doença
arteriosclerótica assintomática da artéria
carotídea |
Acidente
isquêmico transitório |
| Obesidade |
Enxaqueca |
Inatividade
física |
Hiperhomocisteinemia |
Uso
de anticoncepcionais |
| Uso
de drogas simpático-miméticas |
| Síndrome
da apnéia obstrutiva do sono |
As cardiopatias constituem uma causa importante
de AVC cardioembólico. Cardiopatia isquêmica (angina
pectoris e infarto do miocárdio), hipertrofia ventricular
esquerda, cardiomegalia (aumento do tamanho do coração
visível nas radiografias de tórax) e insuficiência
cardíaca se associam a um risco aumentado de AVC. As placas
de ateroma ulceradas no cajado da aorta, se maiores de 4 mm, também,
estão associadas a aumento do risco. Existe uma série
de cardiopatias que predispõem aos infartos cerebrais de
origem cardioembólica (Tabela
1).
Fumo e Acidente
Vascular Cerebral
O tabagismo é um fator de risco muito
claro para o AVC e aumenta em duas vezes o risco. O uso de fumo
facilita a arteriosclerose (envelhecimento das artérias
com depósito de colesterol e formação de
placas ulceradas, que levam a trombose ou estenose grave das artérias).
Além disso, o uso crônico de fumo pode produzir placas
de ateroma nas artérias das extremidades inferiores provocando
síndrome de dor chamada claudicação intermitente
e é, ainda, causa de cardiopatia, isquemia e infarto do
miocárdio.
Ingestão de Álcool após
Derrame Cerebral
A ingestão de álcool em grandes
quantidades constitui um fator de risco de infarto e hemorragia
cerebral e pode, também, favorecer o aumento da pressão
arterial. No entanto, a ingestão de pequenas quantidades
de álcool junto às refeições, especialmente
de vinho tinto, ou mesmo na vida social é preventiva. Após
um episódio de AVC a ingestão de bebidas alcoólicas
deve ser feita com moderação.
Risco de Novo Infarto Cerebral
É muito importante identificar as pessoas
com risco de recorrência de AVC. Através de estudos
epidemiológicos sabemos que cerca de 10 por cento das pessoas
que sofreram um AVC têm risco de voltarem a apresentar novo
AVC no primeiro ano após o evento. Após o primeiro
ano, esse risco diminui.
As pessoas com cardiopatia têm maior risco
de sofrerem AVC cardioembólico. É importante afastar
a presença de trombos no coração e o uso
de varfarina previne a formação de coágulos.
Como Reduzir o
Risco de um Novo Acidente Vascular Cerebral
A mudança no estilo de vida é muito
importante. Uma vida mais ativa, com atividades físicas
regulares, dieta rica em frutas e fibras e pobre em gorduras ajudam
a perder peso, diminuir os níveis de colesterol e controlar
a pressão arterial. A diminuição de sal na
dieta ajuda a diminuir a pressão arterial e a prevenir
o AVC. A diminuição de álcool e a abstenção
de fumo podem, também, ajudar a prevenir o AVC. O consumo
de café não aumenta o risco. A hipercolesterolemia
favorece a progressão de placas de arteriosclerose nas
artérias. Os níveis de colesterol total e da fração
LDL se relacionam diretamente com a progressão da arteriosclerose;
entretanto, os níveis de HDL ("colesterol bom")
são protetores e podem ser aumentados com o exercício
físico.
Pacientes com antecedentes de AVC precisam tomar,
como tratamento preventivo (prevenção secundária),
antiagregantes plaquetários (entre eles aspirina, ticlopidina,
clopidogrel) ou anticoagulantes orais (varfarina). O uso de aspirina
ajuda a reduzir o risco de um novo infarto cerebral nas pessoas
que tenham tido um episódio prévio. As pessoas em
uso de antiagregantes plaquetários têm necessidade
de consultar seu médico se apresentarem sintomas gastrointestinais
ou sangramentos. Todos os pacientes em uso de agentes antiplaquetários
necessitam orientações adequadas antes de realizar
cirurgias.
Nas pessoas que tiveram um infarto cerebral
devido a embolia de origem cardíaca (por arritmia cardíaca
ou infarto do miocárdio recente) recomenda-se o uso de
varfarina oral para prevenir novos AVCs. Posteriormente, é
necessário realizar exames periódicos de sangue
para que sejam determinados os níveis de anticoagulantes
no sangue, e para se conhecer a razão normalizada internacional
normalizada, uma medida da função do anticoagulante
no sangue.
Necessidade de Reavaliação Médica
Sintomas que indicam a necessidade de procurar
o médico:
- Repetição dos sintomas que ocorreram
durante o AVC, tais como, nova perda de força, formigamento
numa parte do corpo ou perda de visão.
- Dor no peito, dificuldade na respiração
e dor irradiada para o ombro esquerdo (risco de angina ou infarto
do miocárdio principalmente em quem teve AVC tromboembólico).
- Perda da consciência, síncope
ou crise convulsiva.
- Inchaço com aumento da temperatura
da perna. Cuidado! Pode tratar-se de trombose venosa profunda!
- Dor e inchaço no ombro com limitação
dos movimentos; pode ocorrer subluxação da articulação
umeral ou capsulite com dor de ombro crônica.
- Hemorragia pelo nariz, fezes ou urina. Deve-se
ter precauções, especialmente com quem está
tomando anticoagulantes (varfarina), pois a dose em uso pode
ser maior que a necessária.
- Mudança na cor da urina, sensação
de queimação e aumento da freqüência
ao urinar podem indicar infecção urinária.
- Dor e ardência no estômago e náuseas
podem estar relacionadas com os fármacos antiagregantes
como aspirina e clopidogrel.
- Desinteresse, tristeza, perda da energia e
abandono das atividades da vida diária podem indicar
depressão pós-AVC.
DESORDENS ASSOCIADAS
Alterações Cognitivas
Após uma lesão cerebral,
algumas pessoas podem apresentar dificuldades na utilização
de habilidades cognitivas que já haviam sido
adquiridas anteriormente e na aquisição
de novos conhecimentos.
Alterações da memória,
atenção, raciocínio lógico
matemático e leitura são alguns dos
déficits cognitivos mais comuns. Estas alterações
estarão presentes conforme a localização
e a gravidade da lesão e, por este motivo,
variam significativamente de uma pessoa para outra.
Alterações Comportamentais
Além das dificuldades na área
cognitiva, algumas pessoas podem, também, apresentar
alterações de comportamento, tais como
agitação, irritabilidade, falta de iniciativa,
apatia, agressividade e desinibição.
Estas alterações estarão presentes
de acordo com a localização e gravidade
da lesão.
Alterações de Linguagem
Também, conforme a localização
e a gravidade da lesão, pessoas com AVC podem
apresentar alterações da linguagem,
sendo a mais freqüente a afasia, que pode incluir
alteração da capacidade de se expressar
através da fala e da escrita, assim como da
compreensão da fala e da escrita.
O comprometimento da escrita, quando
não faz parte de um distúrbio da linguagem,
pode estar relacionado à dificuldade em movimentar
o membro superior dominante (o braço direito
para os destros e o esquerdo para os canhotos), ou
à dificuldade em coordenar os movimentos na
presença de tremores ou de fraqueza muscular.
Orientações
práticas para familiares que cuidam de pacientes
com afasia:
- Mantenha sempre atitudes positivas junto ao paciente; ele
deve ser auxiliado a entender seu estado.
- Lembre-se que, mesmo que o paciente não consiga se
expressar, ele pode estar compreendendo o que se passa com ele;
portanto, comentários que possam prejudicar seu bem estar
devem ser evitados.
- Não se esqueça que o paciente deve ser tratado
de acordo com sua idade cronológica.
- Respeite as opiniões do paciente, pois apesar de ter
perdido a capacidade de comunicação, pode não
ter perdido as habilidades de julgamento e ter sua intelectualidade
preservada.
- Sempre que possível, é importante que ele retome
atividades como hábitos sociais e trabalhos domésticos
ou profissionais.
Alterações da Fala
O paciente pode, também, apresentar
alterações da fala resultantes de comprometimento
do aparelho fonador. As mais comuns são disartria
(dificuldade para articular a palavra) e disfonia
(alteração ou enfraquecimento da voz).
Dificuldades para a Alimentação
A deglutição é
um reflexo complexo, que tem como principal função
conduzir os alimentos e a saliva da boca para o estômago.
A dificuldade de progressão dos alimentos líquidos
ou sólidos da boca para o estômago é
chamada de disfagia. A disfagia pode estar presente
em pacientes com AVC e um tratamento adequado pode
evitar complicações. Os sintomas são:
tosse, engasgos, relato de que os alimentos ficam
parados na garganta (faringe), dificuldade para respirar,
perda de alimentos ou saliva pela boca, dificuldade
para mastigar, pneumonias de repetição,
perda de peso, desidratação. Quando
o paciente não consegue se comunicar, pode
apresentar angústia, sudorese, inquietação
durante a alimentação, o que sugere
estar em dificuldade.
Orientações
ao paciente com disfagia:
- O ambiente deve ser calmo. A alimentação
não deve ser oferecida na frente da televisão
ou com o rádio ligado. Evitar conversa e
distrações durante as refeições.
- Manter o paciente preferencialmente
na posição sentada em 90o. (em cadeira).
Alguns pacientes, após avaliação,
recebem orientações individuais e
mais adequadas quanto ao posicionamento para se
alimentar.
- O ideal é que o paciente
se alimente sem ajuda (quando consegue). Por isto,
devemos proporcionar-lhe as melhores condições:
prato fundo, colher de sobremesa para que uma quantidade
menor de alimento seja ingerida, copo adequado.
O uso de canudo para a ingestão de líquidos
não é recomendado, pois com canudo
não se consegue controlar a quantidade ingerida,
podendo ocorrer engasgos.
- Colocar no prato uma quantidade
pequena, pois o paciente, sabendo de sua dificuldade,
ao olhar um prato cheio pode desistir de comer.
Os líquidos devem ser oferecidos em copo,
também, em pequena quantidade.
- Uma pessoa com disfagia leva tempo
acima do normal para fazer uma refeição.
Ela não deve ser apressada a deglutir.
- O paciente pode apresentar mais
dificuldade com determinada consistência (alimentos
líquidos, pastosos ou sólidos). A
consistência mais adequada deve, portanto,
ser pesquisada. No caso de disfagia, não
deve ser iniciada dieta oral antes de o paciente
ser avaliado por profissionais com experiência
com este tipo de problema. Quanto à escolha
dos alimentos, deve-se dar preferência aos
alimentos que o paciente costumava fazer uso antes
da lesão.
Constipação Intestinal
A eliminação intestinal,
dentro do que é considerado normal, pode ter
uma freqüência de duas ou três vezes
ao dia a três vezes por semana e as fezes variam
de consistência macia a semi-sólida.
Constipação intestinal
é a dificuldade de eliminar as fezes regularmente
(menos de três vezes por semana), possibilitando
um aumento da absorção de água
pelas paredes do intestino, resultando na eliminação
de pequenos volumes de fezes endurecidas com esforço
desconfortável para evacuar. Os sintomas da
constipação intestinal podem ser: mal-estar,
falta de apetite, fadiga, dor abdominal, distensão
abdominal, dificuldade para evacuar e sensação
de evacuação incompleta.
São consideradas causas da
constipação: falta de atividade física,
dieta inadequada com pouca fibra, baixo consumo de
líquidos, uso de medicamentos (antidepressivos,
antiinflamatórios, anticonvulsivantes e anti-hipertensivos),
estresse, falta de privacidade, idade avançada
e depressão.
Como
ajudar o funcionamento intestinal:
- Seguir uma dieta balanceada com alimentos
laxantes e ricos em fibras, como cereais integrais (arroz integral,
aveia, pão integral), hortaliças, frutas e leguminosas.
- Beber oito a 10 copos de líquidos
por dia.
- Estabelecer um horário adequado
para evacuar (é interessante que seja 20 minutos após
uma refeição, porque a chegada do alimento no
estômago estimula contrações do cólon
(segmento do intestino) que se propagam movimentando o conteúdo
intestinal. Isto é chamado reflexo gastrocólico.
- Usar postura normal para defecar, ou
seja, sentado no vaso ou cadeira de banho. Caso não seja
possível, deitar o paciente virado para o lado esquerdo.
- Realizar massagem abdominal no sentido
horário, do lado direito para o esquerdo.
- Evitar fazer lavagem intestinal e uso
de laxantes, pois isso faz com que a musculatura do intestino
fique fraca, aumentando a constipação.
Depressão
após Acidente Vascular Cerebral
A depressão é
o transtorno afetivo mais freqüente após
um acidente vascular cerebral. Para o diagnóstico
da depressão pós-AVC é necessário
que sejam levantadas evidências através
da história clínica e exames clínicos
e complementares de AVC. A depressão pós-AVC
é considerada precoce quando ocorre nos primeiros
três meses após um infarto ou hemorragia
cerebral, e tardia quando acontece após esse
período. Os sintomas da doença depressiva
aparecem em três áreas: afetiva, somática
e cognitiva. Os sintomas afetivos incluem reatividade
emocional diminuída, anedonia, isolamento social
e tristeza. Os sintomas somáticos incluem fadiga,
constipação intestinal, alterações
do apetite (anorexia ou hiperfagia), alterações
do ritmo sono-vigília e diminuição
da libido. As queixas cognitivas se acompanham de dificuldade
de concentração, ideação
de desesperança, de culpa e de inutilidade. Alterações
da percepção sensorial, como alucinações,
também podem ocorrer.
Quanto ao tratamento,
existem vários estudos controlados com placebo, mostrando
a eficácia dos antidepressivos tricíclicos (amitriptilina,
nortriptilina), da trazodona e dos inibidores seletivos da recaptação
de serotonina (citalopram, fluoxetina).
Os pacientes que tiveram infarto cerebral, geralmente,
têm cardiopatia, fazem maior uso de múltiplos fármacos
(que aumentam em grupos de idade avançada), como anticoagulantes
(varfarina), anticonvulsivantes (valproato, carbamazepina, fenitoína),
antiespásticos (baclofen, tizanidina) ou antiarrítmicos.
O uso de fármacos antidepressivos deve ser avaliado tendo-se
em vista o risco de interações medicamentosas.
Alguns doentes, que sofreram
infarto ou hemorragia cerebral, podem desenvolver crises epilépticas,
tanto na fase aguda (nos primeiros 15 dias pós-AVC) quanto
tardiamente (meses ou anos após o derrame). A repetição
de crises caracteriza a epilepsia, que nessa situação
é chamada de vascular. O tratamento é feito com
antiepilépticos.
Complicações Decorrentes da Imobilidade
por Hemiparesia
Como conseqüência de um infarto ou
hemorragia cerebral acontece uma perda da força numa parte
do corpo, geralmente braço e perna ipsilateral, situação
conhecida como hemiparesia (se a perda dos movimentos é
parcial) ou hemiplegia (se a perda é total). As complicações
mais freqüentemente relacionadas com a imobilidade são:
posturas anômalas nas extremidades, dor no ombro parético,
escaras de decúbito pelo apoio prolongado e risco de trombose
na perna paralisada.
Hemiplegia ou hemiparesia podem ser devidas a
lesões em áreas cerebrais muito diversas. A espasticidade
é um sintoma que surge na presença de lesão
da via piramidal, relacionada com os movimentos voluntários.
Observa-se um aumento do tonus muscular e deformidades articulares
pela contratura. Diversos fármacos podem ser usados por
via oral para tratar a espasticidade, tais como baclofen, tizanidina,
diazepam e dantrolene, que, em algumas circunstâncias, podem
facilitar a reabilitação.
REABILITAÇÃO
DO PACIENTE COM AVC
Para a maioria das pessoas que sobrevivem
a um AVC, a reabilitação é uma
das partes mais importantes do tratamento. A reabilitação
deve ter início em fases precoces, nos primeiros
dias após o AVC, ainda no hospital geral, e,
posteriormente, deve ter continuidade numa unidade
especializada em reabilitação de pacientes
com doenças vasculares cerebrais.
O objetivo fundamental do programa
de reabilitação é ajudar o paciente
a adaptar-se às suas deficiências, favorecer
sua recuperação funcional, motora e
neuropsicológica, e promover sua integração
familiar, social e profissional. Um programa de reabilitação
adequado contribui para a recuperação
da auto-estima.
Para os pacientes com AVC extenso
e seqüelas graves e pessoas em estado vegetativo,
recomenda-se mobilização passiva das
extremidades envolvidas e mudanças de posição
freqüentes, no intuito de prevenir contraturas
articulares, úlceras por pressão sobre
as áreas de apoio e trombose das extremidades
inferiores.
Os programas de reabilitação
incluem a terapia física e ocupacional e a
reabilitação cognitiva e da linguagem.
Estes programas integram um grande número de
profissionais (fisioterapeutas, psicólogos,
nutricionistas, professores, professores de educação
física, fonoaudiólogos, assistentes
sociais, médicos clínicos e neurologistas,
além dos profissionais da enfermagem) e, evidentemente,
o paciente e sua família.
Os primeiros três a seis meses
após o AVC são os mais importantes no
processo de readaptação. A maioria dos
movimentos voluntários se recuperam nos primeiros
seis meses. Linguagem, equilíbrio e habilidades
funcionais podem continuar melhorando até dois
anos.
Um AVC envolve não somente
o paciente, mas também sua família e
amigos próximos. Quem sofreu o AVC deve perceber
que familiares, amigos e pessoas próximas são
inseridas, na medida de suas possibilidades, ao programa
de reabilitação.
Atividades Físicas
Após a lesão cerebral
pode-se observar alterações do equilíbrio
e da coordenação motora, assim como
uma perda parcial ou total dos movimentos voluntários
dos membros superiores e/ou membros inferiores. O
retorno dos movimentos depende da reorganização
neurológica e não está diretamente
relacionado à realização de exercícios.
Estes têm por finalidade manter as amplitudes
articulares, melhorar a flexibilidade e a força
muscular, estimular o equilíbrio e a coordenação
motora, prevenir distúrbios circulatórios,
favorecer a percepção corporal e estimular
o uso da motricidade voluntária preservada.
Sempre que possível, os exercícios devem
ser direcionados a atividades funcionais do dia-a-dia
da pessoa visando maior independência.
De acordo com o interesse e a motivação,
após uma avaliação prévia
feita por profissionais especializados, o paciente
poderá realizar atividades lúdico-desportivas
adaptadas, tais como tênis de mesa, natação
e caminhadas. Estas atividades têm por objetivo
melhorar o condicionamento físico geral, reduzir
os fatores de risco do AVC e proporcionar vivência
e experiência em atividades em grupo, favorecendo
a reinserção social.
Treinamento nas Atividades de Vida
Diária
Atividades de vida diária
(AVD) são aquelas realizadas no dia-a-dia de
uma pessoa, tais como alimentação, vestuário,
toalete, banho, transferências da cadeira e
para a cadeira de rodas, locomoção,
comunicação e interação
social. O treinamento nas AVDs implica a adaptação
à condição atual e às
seqüelas que o indivíduo apresenta (hemiplegia,
déficit de coordenação e equilíbrio,
alterações cognitivas e visoespaciais,
entre outras).
Uma avaliação detalhada
da realização das atividades para facilitar
o treinamento e acompanhar a evolução
dos ganhos é necessária. Além
de avaliar a capacidade de realizar ou não
uma determinada tarefa, avalia-se a necessidade de
supervisão ou assistência, o tempo gasto
para realizar cada tarefa e a necessidade de adaptações
e modificações no ambiente.
Os indivíduos são estimulados
a realizar as atividades de forma mais independente
possível, dentro de sua nova condição
motora e cognitiva. O treinamento na alimentação
é necessário nos casos de troca de dominância
(devido a hemiplegia), déficits de coordenação
e motricidade e alterações visoespaciais.
Algumas adaptações podem ser utilizadas,
como por exemplo, engrossador de cabo do talher, pulseira
de chumbo (indivíduos atáxicos), prato
com ventosa, borda para prato, copo com tampa e estímulo
visual na borda do prato (alterações
visoespaciais).
O treinamento em higiene pessoal
inclui escovar os dentes, pentear o cabelo, maquiar-se,
fazer a barba, lavar o rosto e tomar banho. Dependendo
das seqüelas, pode-se usar algumas adaptações
como bucha com cabo alongado, luva adaptada para sabonete
e barras de segurança no banheiro, entre outras.
Com relação ao vestuário,
o treinamento pode ser facilitado com o uso de roupas
e calçados mais práticos, com elástico
ou velcro, uso de gancho e calçadeira com cabo
alongado.
A locomoção pode ser
facilitada pelo uso de andadores, muletas, bengalas
ou através da cadeira de rodas. Para melhor
posicionamento, conforto e segurança do indivíduo,
muitas vezes são indicadas adaptações
na cadeira de rodas como almofadas anatômicas
ou cinto de segurança. Pode-se utilizar alguns
acessórios, como tábua-mesa adaptada
na cadeira para facilitar a alimentação,
e desenvolver atividades de destreza manual, como
jogos e escrita.
A indicação de andadores,
muletas e bengalas para o treino de locomoção
depende da motricidade, do equilíbrio e das
condições cognitivas do paciente.
A interação social
pode ser estimulada através de atividades de
vida prática, ou seja, atividades relacionadas
à capacidade do indivíduo de interagir
com o ambiente e solucionar problemas comuns à
vida em sociedade, tais como, fazer compras, limpar
a casa, administrar dinheiro e utilizar transporte
público.
O ganho de independência nas
AVDs requer perseverança e um treinamento sistemático
diário, além da valorização
das aquisições.
Reinserção Social
Um indivíduo com diferentes
graus de incapacidade, gerados por uma doença,
deve retornar ao convívio familiar e social.
Das atividades realizadas em um programa de reabilitação,
a reinserção comunitária é
uma das mais importantes. Ela se relaciona com a aquisição
de materiais necessários no cotidiano (alimentos,
roupas, utensílios domésticos, medicamentos)
e serviços. É iniciada após avaliação
e abordagem das diferentes funções do
indivíduo – física, cognitiva,
psíquica e social – realizadas pelos
profissionais da equipe de reabilitação.
As atividades
são realizadas em ambientes comunitários
como bancos, supermercados, museus, shoppings e parques,
conforme o contexto de vida do indivíduo. A
equipe avalia a indicação para participação
nestas atividades, considerando a situação
clínica e funcional do paciente, e objetivos
específicos a serem alcançados como:
- Treinar a mobilidade na comunidade, através
da marcha, com ou sem auxílio-locomoção e/ou
órtese de membros inferiores, ou utilização
de cadeira de rodas, manual ou motorizada. Isso envolve percorrer
terrenos acidentados, subir e descer meio-fio, rampa ou escada
rolante, utilizar transporte coletivo, e percorrer ambientes de
maior circulação de pessoas.
- Treinar atividades tais como fazer compras,
pesquisar preços de produtos, efetuar operações
financeiras em bancos ou comércio.
- Treinar funções cognitivas
como orientação temporal e espacial, memória,
comunicação, organização e planejamento
de atividades.
- Treinar enfrentamento, ou seja, habilidade
de se adaptar ao contexto dentro da situação atual.
Uso de Órteses
Órteses são
dispositivos aplicados a um ou mais segmentos corporais
com objetivos como: estabilizar articulações,
compensar fraquezas musculares, prevenir a instalação
ou o agravamento de deformidades articulares, manter
ganhos de amplitudes articulares obtidos com procedimentos
cirúrgicos, reduzir a dor e diminuir parcialmente
a sobrecarga em um determinado segmento corporal.
O uso de órtese para membros
inferiores deve ser iniciado em fases precoces da
recuperação da lesão cerebral
com a finalidade de prevenir contraturas e deve se
estender através do período de recuperação
motora e treino de marcha. Assim que o paciente começar
a andar após uma lesão cerebral, antes
de iniciar o uso de órteses, deve ser realizada
uma análise cuidadosa da marcha. Alguns pacientes
podem apresentar um ‘pé caído’
como única anormalidade na marcha, enquanto
outros podem apresentar joelho instável, ou
uma combinação de pé eqüino
espástico (que não apoia o calcanhar
no chão) e "genu recurvatum" (joelho
hiperestendido).
A órtese deve ser adequada
para controlar os desvios presentes na marcha e ajustada
de acordo com as mudanças no padrão
de atividade motora. Ao ser indicada uma órtese,
deve-se considerar, além dos elementos essenciais
que favorecem a marcha, outros fatores que contribuam
para maior adesão do paciente ao seu uso, como
leveza, durabilidade e conforto.
As órteses são confeccionadas
em material plástico termomoldável aceitando
o formato anatômico do membro envolvido. Orientações
quanto ao seu uso, incluindo higiene e a possibilidade
de lesões em áreas de pressão,
são importantes. A órtese de membro
inferior mais usada para indivíduos com hemiparesia
(dificuldade de movimento em um lado do corpo) é
a órtese abaixo do joelho, denominada tornozelo
pé.
O tipo de órtese deve ser
adequado às características de marcha
de cada indivíduo, levando-se em consideração
suas expectativas e interesses.
PROGRAMA DE LESÃO CEREBRAL
NO SARAH
Quem é atendido
Pacientes que apresentam seqüela
de AVC e Traumatismo Crânioencefálico
(TCE), anóxia cerebral e ressecção
de tumor cerebral.
Consultas
no programa
-
As consultas são solicitadas
por telefone.
-
A secretaria
do PLC envia um questionário, elaborado pela
equipe, que deve ser preenchido pelo médico
de referência e, posteriormente, enviado ao
SARAH. • Esse documento tem a finalidade de
auxiliar a avaliação das necessidades
de cada paciente e a definição dos
objetivos do tratamento.
-
Após análise dos
dados, a consulta é agendada, e é
então definido se o paciente tem ou não
indicação para internação.
Caso haja indicação, será traçado
o programa de tratamento que mantém duas
linhas básicas de atividades: reabilitação
e treinamento familiar.
Programas de tratamento
Reabilitação
O Programa de Reabilitação
visa promover o máximo de independência
possível, de acordo com o potencial motor e
cognitivo de cada paciente. Paciente e familiares
acompanhantes recebem orientações quanto
à patologia, educação nutricional,
fatores de risco para o AVC, qualidade de vida e reinserção
social, profissional e educacional. Diversas atividades
são realizadas conforme as necessidades específicas
do paciente, dentre elas, estimulação
cognitiva, treino de atividades de vida diária,
treino de habilidades manuais, atividades de reintegração
à sociedade e atividades recreativas e esportivas.
O envolvimento da família neste processo é
de fundamental importância para que as orientações
recebidas sejam reforçadas em casa.
Treinamento
da Família
A equipe de profissionais do programa ensina
à família a prestar cuidados específicos
e gerais ao paciente com envolvimento motor grave,
visando facilitar a continuidade dos cuidados recebidos
no hospital. Os principais objetivos são: treinar
quem cuida a prestar cuidados ao paciente; capacitar
quem cuida a repassar informações a
outros membros da família; orientar a família
sobre barreiras que dificultam a locomoção
e possíveis adaptações na residência;
e promover atividades das quais participam quem cuida
do paciente e a família.
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